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Há uma longa discussão de quem deveria ser considerado o “quinto Beatle”. Na lista, está o primeiro baterista da banda, Pete Best; o empresário que levou o grupo ao sucesso, Brian Epstein; até Eric Clapton já foi cogitado para o cargo de honra. Mas Paul McCartney deixou claro quem é o verdeiro quinto beatle: George Martin, que morreu aos 90 anos de idade, nesta quarta-feira (9), por causas ainda desconhecidas.

“Estou tão triste ao saber do falecimento do querido George Martin. Tenho tantas memórias lindas desse grande homem que estará comigo para sempre. Ele era um verdadeiro cavalheiro e um segundo pai para mim. Ele guiou a carreira dos Beatles com tanta habilidade e bom humor que se tornou um verdadeiro amigo meu e da minha família. Se qualquer um mereceu o título de quinto Beatle, esse foi George. Do dia que ele deu o primeiro contrato de gravação aos Beatles até a última vez que o vi, ele era a pessoa mais generosa, inteligente e musical que já tive o prazer de conhecer”.

Paul McCartney – em carta sobre George Martin

A história dele com o quarteto começa em 1962, quando Epstein o convenceu a produzir os Beatles, uma banda que estava começando. Martin, que na época já tinha 36 anos, conta que o grupo não era muito bom, mas a energia deles era contagiante.

O produtor conversou com os Beatles por uma hora e perguntou se havia algo nele que os desagradava. “Para começo de conversa, não gostei da sua gravata”, disse Harrison. Todos riram, o gelo quebrou, e a parceria que mudaria a história da música foi firmada.

Graças ao produtor, fecharam contrato com a Parlophone, subsidiária da EMI, gravadora para a qual Martin trabalhava. Logo, ele já fez sua  primeira mudança na banda ao convencê-los a demitir o baterista Pete Best.

Meses depois, entraram em estúdio para gravar a estreia “Please, Please Me”. Desde então, Martin produziu quase todos os discos dos Beatles. A exceção foi “Let It Be”, quando John Lennon o dispensou dizendo que não queria “mais uma porcaria” de Martin. Mesmo assim, ele acabou ajudando um pouco e assinando a produção ao lado de Phil Spector.

Se o quarteto, mesmo em sua fase mais psicodélica, conseguiu atingir altas ambições musicais, muito se deve a Martin, responsável pelos grandes arranjos dos Beatles.

FOTO: FRED PROUSER/REUTERS

GEORGE MARTIN REGENDO A HOLLYWOOD BOWK ORCHESTRA

Foi ele quem tocou trompete em “Penny Lane”, piano em “A Hard Days Night” e “In My Life”, cuidou da orquestra em “Elanor’s Rigby” e todo o pano de fundo em “I am the Walrus”.

É a partir de “Yesterday” (1965) que George Martin vai conduzindo Lennon e McCartney para além do básico do rock and roll. Até então, eles não haviam gravado nada com músicos fora da banda.

Paul McCartney diz que, inicialmente, queria gravar a canção apenas com um violão, sem mais nada. Foi de Martin a ideia do acompanhamento do quarteto de cordas, apesar da relutância do baixista.  “A ideia obviamente funcionou, já que a canção se tornou uma das mais gravadas na história, com versões de Frank Sinatra, Elvis Presley, Ray Charles, Marvin Gaye e tantos outros”, diz o baixista.

Em 1966, quando os Beatles gravavam “Revolver”, ele ensinou o quarteto a gravar novos sons ao colocar os toca-fitas indo de trás para frente – efeito que utilizaram na canção “Tomorrow Never Knows”.

A diferença de idade e cultura entre Martin e o Fab Four, no entanto, deram um porto seguro para a banda quando entraram na fase psicodélica. “As drogas certamente afetaram a música, mas não afetaram a produção porque eu estava produzindo”, disse em entrevista à Rolling Stone.

A sinergia da ousadia de Martin com os Beatles atingiria um novo patamar em “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, conhecido pelas inovadoras técnicas de produção, que incluíam modelagem de som com processamento de sinal e uma orquestra de quarenta pessoas fazendo a parede de som de “A Day In The Life”. Tudo isso com os ainda rústicos equipamentos de 1967.

Na época, o estúdio só tinha gravadores de quatro canais – que não dariam conta da complexidade que eles queriam. Martin e sua equipe desenvolveram uma técnica para acoplar dois gravadores de rolo de quatro canais a uma mesa de mixagem, conseguindo assim uma mesa de oito canais. Revolucionou mais uma vez as técnicas de produção.

Pós-Beatles#

FOTO: RAFAEL PEREZ/REUTERS

GEORGE MARTIN REGENDO A HOLLYWOOD BOWK ORCHESTRA

 

Na década de 1970 havia muita pressão para que os Beatles voltassem. Martin sempre foi contra. Quando a banda acabou, a fama de Martin fez com que ele trabalhasse com diversas bandas, como Jeff Beck, America, UFO, Cheap Trick e até Celine Dion e Kenny Rogers. Vencedor de seis grammys, foi condecorado pela Rainha em 1996.

Martin deixou uma de suas últimas grandes marcas em 1997. Na época, quando a Princesa Diana morreu, Elton John compôs, junto com o produtor, uma nova versão da clássica “Candle In The Wind”. A canção foi tocada em seu funeral e a nova versão ficou conhecida como “Goodbye England’s Rose”. O single tornou-se um sucesso de vendas. E Martin se aposentou no ano seguinte, aos 72 anos.

Fonte : Nexo Jornal

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