Raul Santos Seixas nasceu em Salvador em 28 de junho de 1945. De família classe média, esse baiano falava inglês perfeitamente, amava literatura, filosofia, metafísica e ontologia. A música surgia na sua vida devido a dificuldade de se tornar escritor no Brasil. Raul usou a música para se comunicar, dizer o que pensava, já que não o pôde fazer através da literatura.

Parcerias polêmicas, questionamentos surpreendentes, pensamentos magicistas são algumas características que definem Raul. Ouvia Luiz Gonzaga, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Raul Seixas fundiu o tal rock’n roll com todas as variações rítmicas brasileiras, do xote ao baião, ajudando a criar a cara do rock nacional.

Raul falava dele mesmo; tudo o que ele disse ou cantou eram coisas que ele acreditava. Ele era acima de tudo sincero. Sobre sua a juventude, ele mesmo descreve: “nasci em 1945, no final da guerra, portanto minha juventude foi uma juventude pós-guerra necessariamente. Comecei a usar cabelo de James Dean, blusão de couro e beber Cuba Libre o que espantava meus pais burgueses de classe média.” Bebia escondido dos pais, montava em sua lambreta e perambulava pelas ruas de Salvador. Juntou-se com mais três rapazes e formaram a banda As Panteras, que em 1960 era a banda de rock mais popular da Bahia. O grupo grava um Lp, que é um fracasso em vendagem. Isso faz com que Raul deixe o Rio e volte para Salvador. Persistente como ele só, continua compondo, trabalhando, até a hora que pensou: ” agora é hora de mudar o mundo!”.

A controvertida “Sociedade Alternativa” não agradou os governantes e Raul foi preso e torturado pelo DOPS tendo que deixar o País. Mas a canção ‘Gita’ o traz de volta. Daí começa a completa consolidação do seu trabalho.

A história de Raulzito é construída por 21 Lps, dezenas de compactos, contratos em todas as maiores gravadoras do país, um livro, “As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor”, cinco mulheres, três filhas, muitos problemas pessoais e, finalmente, o alcoolismo que lhe rendeu uma pancreatite aguda levando-o a morte em 21 de agosto de 1989.

Suas idéias continuam nas mentes, suas músicas continuam a ser cantadas… ninguém tão mágico, místico, louco, sincero podia ser meramente esquecido. Se alguns, mesmo assim, ainda quiserem esquecê-lo, casas culturais, praças, ruas e viadutos o farão lembrar dessa figura e homem que foi Raul Seixas.

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