José Maria Eça de Queirós

Póvoa de Varzim – 25.11.1845

Paris – 16.08.1900

José Maria Eça de Queiros nasceu em Póvoa de Varzim, em Portugal, em 25 de novembro de 1845, filho de José Maria Teixeira de Queirós, magistrado judicial, e Carolina Augusta Pereira d’Eça. Como seus pais não eram oficialmente casados, o pequeno Eça foi registrado como filho de “mãe incógnita”.
Passou a infância na zona rural, longe dos pais, que só viriam a se casar quando ele completara 4 anos. Na verdade, passou a maior parte da vida como filho ilegítimo, pois foi reconhecido somente aos 40 anos. Até 1851 foi criado por uma ama, sendo entregue depois aos cuidados dos avós paternos.

Em 1861 matriculou-se em Coimbra, no curso de direito, que concluiu em 1866. Foi lá que se tornou amigo de Antero de Quental e Teófilo Braga, revolucionários de letras e políticas portuguesa. Na universidade, foi um aluno inexpressivo, não se envolvendo na polêmica conhecida por Questão Coimbrã (1865-1866), que opôs os jovens estudantes aos mais conhecidos representantes da segunda geração romântica. Mas viveu o ambiente de renovação existente em Coimbra, onde a recente ligação ferroviária com a França facilitava a chegada de novidades políticas e artísticas
do restante da Europa.

Após a formatura, Eça estabeleceu-se como advogado em Lisboa, mas rapidamente desistiu da carreira. Em 1867 fundou e redigiu integralmente, durante cerca de meio ano, o jornal O Distrito de Évora, com o qual fez oposição política ao governo. Meses depois, passou a colaborar com maior regularidade na Gazeta de Portugal. Os textos daquela época, publicados posteriormente sob o título Prosas Bárbaras, refletem ainda grande influência romântica.

Em 1869, como jornalista, fez uma viagem ao Egito e à Palestina e assistiu à inauguração do Canal de Suez. Foi acompanhado do conde de Resende, com cuja irmã, Emília de Castro Pamplona, viria a se casar, em 1886. As impressões da viagem ficaram registradas nos textos do livro O Egito e forneceram também subsídios para o romance A Relíquia. Ainda em 1869, em parceria com Antero de Quental e Batalha Reis, criou a figura de Carlos Fradique Mendes, que mais tarde se transformaria em uma espécie de alter ego.

GERAÇÃO DE 70
Em 1870 foi nomeado administrador do conselho de Leiria. A estada forneceu o material para criar o ambiente provinciano e devoto em que se passa a ação de O Crime do Padre Amaro. No mesmo ano, escreveu, com Ramalho Ortigão, uma série de folhetins que recebeu o nome de O Mistério da Estrada de Sintra. A colaboração entre os dois continuou no ano seguinte, com uma publicação de crítica política e social: As Farpas.
De volta a Lisboa, formou com Antero de Quental e outros jovens o grupo do Cenáculo, do qual partiu a idéia das Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense, em 1871. O próprio Eça pronunciou uma das palestras, sobre o realismo como nova expressão artística. Esses intelectuais inspiravam-se em movimentos de transformação da época, como a Comuna de Paris, buscando atualizar Portugal, atrasado e agrário, com o que ocorria em outros países europeus. O grupo ficou conhecido como Geração de 70.
Eça ingressou em seguida na carreira diplomática, tendo sido nomeado cônsul em Havana (capital de Cuba, na época colônia espanhola), em 1872. Nesse período, fez uma longa viagem pelos Estados Unidos e pelo Canadá e redigiu a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.
Em dezembro de 1874 foi transferido para Newcastle, na Inglaterra, onde escreveu O Primo Basílio. Em 1878 seguiu para Bristol. Dez anos depois foi deslocado para Paris, onde permaneceu até morrer, em 16 de agosto de 1900.

Em 1877, Eça preparou uma série de novelas com as quais faria uma análise crítica da sociedade  de seu tempo, com a designação genérica de “Cenas portuguesas” Mesmo sem obedecer com rigor ao próprio projeto, muitas obras escritas pelo autor até o fim da vida nasceram dessa motivação. Seus primeiros romances, O Crime do Padre Amaro e O Primo Basílio, são marcados pelo naturalismo, que enfatiza o determinismo social para explicar a trajetória dos personagens. A partir de Os Maias (1888), suas obras se afastam da estética naturalista. O narrador passa a ser mais complexo do que nos primeiros livros, pois, em vez de simplesmente relatar os fatos e pensamentos de forma objetiva, penetra na consciência dos personagens. Isso é inovador para os padrões do realismo da época. As últimas obras de Eça, como A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras, manifestam um desencanto com o mundo moderno e um desejo de retorno às origens. Sua produção mais crítica em relação a Portugal é a das décadas de 1870 e 1880. Considerado um dos grandes escritores portugueses de todos os tempos, Eça viveu mais da metade da vida fora do país natal, sem nunca deixar de refletir sobre ele.

As obras de Eça de Queiroz

ROMANCES
O Crime do Padre Amaro (1875 – versão definitiva 1880); O Primo Basílio (1878); O Mandarim (1880); A Relíquia (1887); Os Maias (1888); Uma Campanha Alegre (1890-1891); A Ilustre Casa de Ramires (1900); A Correspondência de Fradique Mendes (1900).

PÓSTUMOS
A Cidade e as Serras (1901); Contos (1902); Prosas Bárbaras (1903); Cartas de Inglaterra (1905); Ecos de Paris (1905); Cartas Familiares (1907); Bilhetes de Paris (1907); Notas Contemporâneas (1909); Últimas Páginas (1912); A Capital (1925); O Conde de Abranhos (1925); Alves e Cia. (1925); Correspondência (1925); O Egito (1926); Cartas Inéditas de Fradique Mendes (1929); Páginas Esquecidas (1929); Eça de Queirós entre os seus – Cartas Íntimas (1949); Folhas Soltas (1966); A Tragédia da Rua das Flores; Dicionário de Milagres e Lendas de Santos (1980).

EDIÇÕES CRÍTICAS
A Capital (1992); O Mandarim (1993); Alves e Cia. (1994); Textos de Imprensa VI (1995).

Fonte : Guia do Estudante / Editora Abril

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